sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

41º dia da viagem – Corumbá – 27 de janeiro

Hoje fomos à imigração para oficializar nossa saída da Bolívia e realizar a entrada de Helenilka no Brasil, mas como o despertador estava no horário boliviano nos atrasamos. Chegamos à imigração brasileira às 12:05h, exatos 5 minutos depois de fechar, nosso plano de ir hoje a Campo Grande parecia mais difícil.
Fui então procurar ajustar o farol, que com a vibração do chão batido estava completamente solto, ao tentar pegar minhas ferramentas descubro que a fechadura do baú traseiro também tinha sido afetada e não abria, agora eu precisava de um chaveiro.
Depois de finalmente conseguir um chaveiro fomos à imigração, a confusão era imensa, um funcionário da Polícia Federal nos orientou a fazer a entrada de Helenilka em Brasília, ou passaríamos a tarde na fila. Resolvemos procurar um hotel e permanecer na cidade, pois já passava das 15h e o calor estava insuportável, e deixar a saída para amanhã cedo, esperamos que amanhã possamos ver muita beleza natural (fauna e flora) ao cruzarmos o Pantanal. Já que não iríamos pegar estrada pudemos saborear uma picanha como há muito não fazíamos e depois aproveitar a piscina do hotel.
Abraços

40º dia da viagem – Santa Cruz de La Sierra a Corumbá - 26 de janeiro

O dia começou mal. Antes de encontrarmos o Diego e a Lígia passamos na praça para tirar algumas fotos, já no caminho para o hotel um policial boliviano nos aborda e tenta a todo custo encontrar coisas erradas para poder nos tirar dinheiro. Primeiro disse que estávamos há mais de 30 dias na Bolívia (prazo permitido para estrangeiros) quando na verdade estávamos há 9 dias, depois insistiu que na minha carteira de habilitação não constava a permissão para dirigir motos, saquei a carteira internacional de motorista e muito a contragosto ele me liberou. Que nojo desses bandidos fardados!
Às 10h saímos da cidade, a estrada é ótima e praticamente sem curvas, propiciando uma viagem econômica e tranqüila. Bem, isso até chegarmos ao chão batido, 46 km de tortura potencializada pelo calor infernal e por dessa vez Helenilka estar na garupa, o que aumentava a instabilidade da Roseli. Levamos uma hora e meia para percorrer esse trecho, o Diego e a Lígia nos acompanharam com muita paciência mesmo não tendo essa necessidade, já que em uma BMW 1200GS percorreriam esse trecho em, no máximo, 40 minutos.
Roseli, a mais valente das customs, enfrentando o chão batido

Passado esse sofrimento paramos na próxima cidade para tomar uma cerveja e comer alguma coisa. Enquanto abastecíamos soubemos que dois casais de São Paulo, que encontráramos no dia anterior no jantar e que viajavam em duas caminhonetes, fora perseguido momentos antes e um dos veículos capotou ao tentar fugir dos ladrões. Receosos, seguimos viagem rumo à fronteira, onde chegamos às 22:30h, e mais uma vez um bandido boliviano, ops, um policial, nos extorquiu dinheiro. Ainda teríamos que voltar no dia seguinte para passar na imigração e fazer aduana da Roseli, mas a alegria de passar a fronteira, entrar no Brasil e deixar a Bolívia, onde tivemos tão maus momentos, era tamanha que não nos importamos, e seguimos para Corumbá em busca de um restaurante e um hotel.
Abraços.
P.S.: Gostaria de fazer um agradecimento especial ao Diego e a Lígia que com muita paciência, cuidado e bom humor nos acompanharam hoje, principalmente nos trechos de chão batido, que teria sido muito mais penoso sem tão agradável companhia. Aguardem nossa visita em Curitiba!


39º dia da viagem – Carretera Cochabamba_Santa Cruz a Santa Cruz de La Sierra – 25 de janeiro

Depois de deixar o hotel fomos abastecer, mas quem estava sendo abastecido era o posto de combustível, coloquei a Roseli na fila e esperei por 1 hora até finalmente poder seguir viagem. O calor castigava e só paramos para comer huemitas
Às 15h chegamos à Santa Cruz de La Sierra, a idéia era achar um hotel e logo depois uma concessionária Suzuki para trocar o óleo e finalmente arrumar o freio traseiro. Aconteceu então uma coincidência incrível. Qual é a probabilidade de que em uma cidade de mais de 1,7 milhão de habitantes nós encontrássemos novamente o Diego e a Lígia, que conhecemos no dia anterior e que seguiu conosco até Cochabamba? Pois foi exatamente isso que aconteceu! Errei o caminho e ao parar para perguntar encontro os dois trocando os pneus da moto, falei que estava precisando arrumar algumas coisas na Roseli e o Diego nos levou a um mecânico, que resolveu tudo rapidamente e me custou apenas US$15.
Mais tarde saímos para jantar uma parrilada com carne argentina, claro, e combinamos de seguirmos juntos até a fronteira amanhã.

Até logo.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

38º dia da viagem – Do km 70 da Ruta 1 à Carretera Cochabamba_Santa Cruz – 24 de janeiro

Quando acordamos e fomos carregar a Roseli vimos que a moto de Curitiba ainda estava lá. No café da manhã encontramos o casal, Diego e Lígia, que estava voltando do Peru, conversamos e resolvemos seguir juntos até Cochabamba.

Boa companhia na estrada

Ao sairmos a temperatura estava em 12°C, o jeito era seguir e assim fomos juntos à Cochabamba. Lá nos despedimos, enquanto eles seguiram viagem nós fomos comer uma pizza e dar uma volta pela cidade, ao contrário do que víramos da Bolívia até então Cochabamba parecia uma cidade mais civilizada, quadras perfeitas, trânsito mais civilizado, sem lixo nas ruas, mas isso era só aparência, a atendente da pizzaria tentou roubar no troco, isso aqui está difícil mesmo. Resolvemos continuar, os politicamente corretos que não me leiam mas pelo menos na estrada minimizamos o contato com o pessoal nativo.
No caminho entre Cochabamba e Santa Cruz tivemos uma grata surpresa. Cochabamba é uma cidade a cerca de 2500m de altitude e Santa Cruz a 416m, ou seja, entre elas há a transição do Altiplano Andino, frio e seco, para a floresta tropical, quente e úmida, é algo simplesmente espetacular, na descida da serra é possível ver a vegetação mudando, o verde se tornando mais intenso, as folhas aumentando de tamanho, as árvores começando a surgir, sentir a umidade se instalando e o calor dando as caras enquanto uma chuva forte caía sem parar.  Foi quando percebemos que estávamos no meio da floresta! Foi emocionante, mesmo tendo reduzido drasticamente a velocidade, em razão da chuva que deixou a pista escorregadia e da queda de pedras e deslizamentos de terra, valeu muito a pena, esse é um trecho de estrada que empolga e faz qualquer um entender a beleza de andar de moto.

No Altiplano Andino

E pouco depois na Floresta Tropical Úmida

Depois de descermos a serra a estrada virou uma reta interminável, pensamos que chegaríamos à Santa Cruz, pois a chuva parara e o tempo estava bom, mas não sabíamos de uma coisa, na Bolívia os postos de gasolina na estrada fecham às 20h! Só restava o mercado negro, que estávamos decididos a não utilizar. Bem, continuamos a rodar na esperança de achar um posto, todos fechados, começamos a procurar um hotel e nada, preocupados seguimos, conversamos com a Roseli e pedimos que ela economizasse um pouco ou ela Iria que dormir na estrada ao relento. Deu certo, no meio da Carretera encontramos o Hotel Torero II, onde a Srª Sílvia nos atendeu gentilmente, o hotel tinha até ar-condicionado! Era mais do que esperávamos. Jantamos e fomos dormir o profundo sono dos motociclistas.
Até mais.

37º dia da viagem - Copacabana a Hotel Gran Poder, Km 70 da Ruta 1 - 23 de janeiro

Depois de tanta incomodação, acordamos e resolvemos ir embora de qualquer jeito deste país horroroso de gente porca e desagradável. Estudamos a rota de fuga no guia 4 rodas que tenho no computador, encontramos duas possibilidades, uma pelo Paraguai e outra mais longa pela Argentina. Queremos evitar a qualquer custo estradas que não sejam de asfalto. Fomos até um cyber café, definimos nosso caminho no Google Maps e então fomos almoçar e partir para a estrada.
Fato Curioso – quando entramos na estrada, saindo de Copacabana, vimos uma placa indicando pedágio, que na verdade é um posto de controle policial, perguntaram porque eu não havia registrado a moto no dia anterior, eu disse que o policial havia me mandado passar, o policial insistiu que provavelmente me mandaram parar e eu segui. Disseram então que precisavam registrar a Roseli, e me cobraram 10 pesos, sem recibo, ticket, nota fiscal, qualquer coisa, inventaram uma taxa que não existe! O que fazer num país onde até a polícia lhe rouba? Fugir dele o mais rápido possível.
Roseli com os olhinhos brilhando ao se afastar de Copacabana.

Seguimos viagem, pegamos um pouco de chuva e frio no caminho e mais tarde, por volta das 19:00h, o frio apertou de verdade, a temperatura estava em torno de 10°C, mas a sensação térmica na moto era inferior a 0°C e chovia muito. Resolvemos parar no primeiro hotel que encontramos (sorte nossa, já que à frente não havia mais nada por cerca de 150 km), que não tem internet, com uma água quente quase fria, mas com bom colchão e bem silencioso, o que ajuda a dormir melhor. Não conseguimos jantar, às 22:00h o restaurante já estava fechado, dividimos os biscoitos que tínhamos e fomos dormir, felizes por ter uma cama quentinha, mas antes vimos que havia uma moto com placa de Curitiba no hotel, pensamos se tratar de um daqueles madrugadores que às 6h já estão na estrada e deixamos para lá.
Abraços.

36º dia da viagem - La Paz a Copacabana – 22 de janeiro

Depois de ligar para a Suzuki descobrimos que era feriado nacional, consequentemente não poderíamos fazer a manutenção na Roseli, pois estava tudo fechado, inclusive algumas ruas do centro e parte da auto pista, que precisávamos pegar para sair de La Paz, que fica num buraco entre as montanhas, num vale. Com jeitinho, e com a orientação de um guarda que nos mandou pagar uma contra mão para facilitar nossa saída (!), conseguimos. Ainda tínhamos que enfrentar o caos das vans em El Alto, para conseguir pegar a estrada para Copacabana. Pacientemente seguimos até a saída e fomos embora felizes, agora pensando que os problemas tinham ficado para trás e que nos divertiríamos por três dias às margens do Lago Titicaca.
Tentando sair do Inferno
Pegando a contramão porque o guarda mandou!

Mais uma vez estávamos errados. Depois de um caminho quase reto cruzamos um estreito de balsa para chegarmos até Copacabana, mais alguns kilômetros chegamos ao Hotel Glória, enquanto eu descarregava a moto Helenilka foi a recepção para fazer o check-in. Quando chego lá com todas as tralhas, bolsas, computador e os cambaus, encontro Nilkinha soltando fogo pelas ventas. O que aconteceu? Eu pergunto, e ela me diz que o hotel não reconhece a reserva, que não teriam aptos de frente para o lago, que a diária seria maior, porque estávamos em 2011, e não aceitariam pagamento com cartão de crédito, tudo diferente do combinado. Endossei a indignação dela, xinguei muito o atendente e o suposto gerente e fomos embora, carregar a Roseli, tudo de novo, e sair atrás de outro hotel.  Procura aqui, não tem, ali, está lotado, vai atrás de outro, nada. Até que encontramos um que possuía um apto.  vago mas a chave estava perdida, eles só poderiam me alugar se o chaveiro fosse lá para abrir a porta e fazer uma chave, pediram que aguardássemos até às 19:00h. Assim fizemos, fomos para um barzinho na frente da praia e ficamos arrumando fotos e filmagens para quando tivéssemos internet publicar. Quando voltamos ao hotel, às 19:00h, a senhora nos falou que não tinha resolvido o problema e que não teria apto para nós. Bateu o desespero, saímos perguntando em tudo que era hotel, hosteria, alojamento e nada, todos lotados, era feriado lembram? Achamos um hotel, onde precisávamos subir 5 andares de escada, sem água quente e caro, não encaramos. Acabamos sensibilizando a Srª Mery, da Hosteria Florência, que colocou 2 colchões na sala onde ela serve café e ficamos por lá mesmo.
Roseli entrando na balsa rumo à Copacabana.

Na balsa, a Roseli tremia de medo, o Paulo teve que segurar sua mão durante a travessia inteira.

Chegamos juntas ao Lago Titicaca.

Ah, o lago é lindo mesmo, como vocês podem ver nas fotos que tiramos, mas outra vez os serviços neste paiseco nos criaram problemas, quando comentamos com o dono do restaurante que ficamos enquanto aguardávamos o outro hotel (o que não tinha a chave de um dos quartos) os problemas que tivemos com o Hotel Glória, ele nos disse que não é a primeira vez que isso acontece e que seria muito bom divulgar para que as pessoas não sejam feitas de bobas. Sendo assim pessoal, quem for a Copacabana, no Lago Titicaca não faça reservas e não se hospede no Hotel Glória, é muito desorganizado, digo isso para não baixar o nível, pois me pareceram uns aproveitadores e sem vergonhas.  

Até breve.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

35º dia da viagem – Potosí à La Paz – 21 de janeiro

Meus Amigos!
Hoje rodamos 520 km no asfalto, legal, mas antes quero contar alguns detalhes do hotel em Potosí.  Quando chegamos à cidade no dia anterior, estava chovendo e depois de nos encontrarmos saímos em busca de um hotel. Achamos um, este não, outro também não, até que por fim encontramos a Hosteria San Antonio, boa apresentação, fachada ampla, estacionamento interno e preço acessível, é este. Pagamos adiantado, pegamos a chave e fomos ao apto. e aí começou a decepção, o colchão era ruim e quando quisemos tomar banho, a água esquentava, mas não havia água fria para acertar a temperatura. Ou se tomava um banho pela porco, ou teríamos que dormir sem banho num colchão ruim. Acordamos cedo e fomos tomar o café da manhã que estava incluso, sentamos no salão e nada da mulher vir nos atender, até que olhando quem ela atendia, descobrimos que tinha que ter uma fichinha que autorizasse a tomar o café, Helenilka foi à recepção e pegou nossas fichas, rapidinho a tonta veio nos atender. Trouxe o café preto, não havia leite, com um pão velho e duro, foi triste (rsrs), engolimos o que dava e fomos para a estrada. A única coisa que funcionou razoavelmente bem foi a internet wi-fi.
 Vocês sabiam que na Bolívia é preciso pagar pedágio só porque uma pista é asfaltada e em alguns lugares ruim? Saudades do Brasil... O caminho entre Potosí e Oruro é belíssimo. Rodamos por entre morros e depois de algum tempo entramos numa planície, a estrada ficou com poucas e suaves curvas, continuamos até El Alto, cidade colada em La Paz.



Entramos em El Alto por volta das 18:00h, todo mundo saindo do trabalho e indo para casa, dá para imaginar o caos? Detalhe, não existe empresa de ônibus, transporte coletivo, então todo transporte de passageiros fica a cargo das vans. Alguém lembra da confusão que elas provocavam no trânsito? Pois é, aqui elas são uns 80% do tráfego, imaginem como é. Entramos no centro de El Alto, tentando fugir da confusão das vans, e para procurar um hotel. Nem um nem outro, o furor das vans era maior e o único hotel que encontramos era horrível, além de caro. Fomos para La Paz, mais 22 km pelo que eles chamam de auto pista (duas pistas vão e duas pistas voltam e bem separadas), caímos no centro da cidade, e agora, como achar um hotel? Quando estávamos parados no posto de gasolina vi um cara de moto e fui até ele para pedir ajuda, o cidadão era da polícia e prontamente nos levou até um hotel com preço acessível e boas acomodações, mas sem internet. Gente a cidade fede, é sujeira e miséria por todos os cantos, simplesmente horrível.
La Paz (não se engane, a noite todos os gatos são pardos)
Saímos para jantar e para nossa surpresa encontramos o Restaurant El Lobo, uma quadra e meia do hotel. Muito bom, preço ótimo, comida boa, música agradável e muito bem decorado. Comemos, bebemos e de barriga cheia fomos dormir.
Até mais.